Bairros planejados viram alternativas nas grandes cidades

Com o crescimento desordenado das grandes cidades nas últimas décadas, os bairros planejados vêm despertando cada vez mais a atenção de incorporadoras e companhias de urbanismo.

Estes novos conceitos de “condomínios” têm sido construídos para se evitar grandes deslocamentos, com os projetos reunindo numa mesma área espaços para moradia, trabalho e lazer.

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É como se fosse o planejamento urbanístico de um bairro inteiro, com prédios residenciais, comerciais, de serviços, hotéis e parques, além de todo o desenho de ruas, acessos e iluminação pública que são desenvolvidos por empresas privadas.

“Lugares assim são bem vistos pela população porque propõem uma qualidade de vida maior. Além disso, o morador nunca será surpreendido com a construção de uma indústria do lado da sua casa, por exemplo, pois tudo é planejado antes das obras”, afirma Luiz Paulo Pompéia, presidente da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio).

A nova tendência fez a construtora Tecnisa lançar o maior empreendimento de sua história. Chamado de Jardim das Perdizes, o bairro planejado fica na região da Barra Funda e foi construído em um terreno de 250 mil metros quadrados.

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O complexo terá cerca de 30 torres residenciais e comerciais, com apartamentos de 90 a 270 metros quadrados, além de um hotel e um parque público de 50 mil metros quadrados. A expectativa é que o projeto tenha um potencial de vendas que possa chegar a R$ 5 bilhões, já que o lugar deve receber mais de 10 mil moradores.

“Esses bairros planejados têm seduzido o mercado em geral. Geram uma arrecadação maior para a prefeitura, por causa de impostos como IPTU e ISS, gera mais emprego no local e fixa mais as pessoas na mesma região, evitando os grandes deslocamentos”, avalia Luiz Augusto de Almeida, diretor da Sobloco Construtora, que lançou em 2007 o Espaço Cerâmica, localizado numa área de 300 mil m² em São Caetano do Sul, na divisa com a Capital.

O espaço conta até com um centro de compras, o Parkshopping São Caetano, que acomoda 242 lojas e mais de 2 mil vagas de estacionamento. Tudo para atender a previsão de um movimento superior a 23 mil pessoas por dia, das quais 7 mil serão moradores do local.

Há ainda a previsão de o espaço receber nos próximos anos uma unidade do Hospital São Luiz, com capacidade para atender 20 mil pacientes por mês. O empreendimento deverá atrair investimentos superiores a R$ 1 bilhão e criar milhares de postos de trabalho.

O novo modelo de ocupação urbana chegou até o Recife. A Odebrecht Realizações Imobiliárias está desenvolvendo a Reserva do Paiva, um bairro de 5,26 milhões de metros quadrados entre o centro da capital pernambucana e o porto de Suape.

A expectativa da empresa é de que cerca de 40 mil pessoas morem naquele local, que deve somar um VGV (Valor Geral de Vendas) de R$ 12 bilhões.

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“É um novo bairro no município. Então, é claro que apartamentos nestes locais deverão ter uma valorização expressiva, bem maior que a inflação. Mas, é bom lembrar que essas comunidades são públicas, ou seja, todos os serviços ali presentes podem e devem ser utilizados por moradores do entorno do empreendimento”, completa Almeida.

Este novo conceito, no entanto, ganhou grande adesão no Estado do Rio de Janeiro. Cidades como São Gonçalo, Maricá, Itaboraí e Rio das Ostras, já contam com muitos lançamentos de bairros planejados.

“No Rio, ainda há muito mais terrenos disponíveis para se desenvolver empreendimentos como estes. Diferentemente de São Paulo, por exemplo”, finaliza Pompéia.

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