Paredes com volumes criam efeitos surpreendentes na decoração

O uso da estética de relevos e volumes é a nova aposta do mercado de acabamentos e as grandes marcas de revestimentos nacionais e internacionais já investem nessa tendência. Os formatos geométricos e muitos arabescos ganharam lugar especial entre as novidades apontadas por feiras e eventos nessa área. A novidade garante uma sensação de que vai sair da parede e se misturar ao ambiente.

A engenheira civil especialista em decoração Izabel Souki diz que os volumes atraem olhares porque revelam um espaço que transmite uma terceira dimensão. “O uso desse tipo de revestimento é muito comum em ambientes comerciais, pois, além de trazer uma ideia diferente da parede lisa, emassada e pintada, oferece sensação de movimento. Esse movimento, com relevo e profundidade, acabou chegando aos projetos residenciais”, informa.

Os diferencias desse tipo de revestimento são, além das tramas que eles oferecem, os formatos orgânicos, geométricos e muitos arabescos. “Alguns revestimentos podem trazer uma perspectiva 3D ou ainda chamar a atenção por mostrar curvas sinuosas. Outra diferença do revestimento com volume é a presença da textura”, revela Izabel.

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A designer de interiores Fabiana Visacro observa que o revestimento de parede vem se valorizando a cada dia. E as técnicas dimensionais demonstram isso. “Elas criam uma sensação de fluidez na parede, fazendo com que o revestimento participe mais do ambiente, saltando às nossas vistas”, conta. Para a profissional, o diferencial desse tipo de revestimento é sua imponência. “Pois ele deixa de ser algo chapado ao olhar humano e passa a ser ressaltado pela iluminação. Com ele, é possível brincar com o volume e com as sombras. O volume faz com que o ambiente fique, ao mesmo tempo, sofisticado e impactante”, diz Fabiana.

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A criação da técnica de uma percepção em 3D, como se o revestimento estivesse se integrando ao ambiente e ao espaço, é destacada pela arquiteta da loja especializada em acabamentos Bel Lar Maristela Broilo. “Trata-se de revestimentos que chamam a atenção devido aos altos e baixos relevos e, por isso, é necessário escolher ambientes que permitam que eles ganhem destaque e combinem com os demais componentes da decoração”, destaca.

LUZ E SOMBRA

Apesar de não serem uma novidade, Maristela diz que esse tipo de revestimento tem ficado cada vez mais em evidência. “Os volumes sempre foram utilizados em áreas externas, mas, nos últimos anos, invadiram todos os ambientes”, conta. A arquiteta diz que o efeito de luz e de sombra e a possibilidade de dar movimento às paredes são muito bem-vindos em salas de jantar e estar, hall, fachadas, muros, banheiros e espaço gourmet.

Os relevos estão presentes em peças de madeira e cerâmica, porcelanatos, cimentícios e vários tipos de pedras, como os mármores, pedra são tomé, ardósia, entre outras. “Também porcelanas, resinas e até mesmo placas de concreto. Entre os destaques, é possível ressaltar as placas produzidas com madeira reflorestada, que investem no volume por meio de chapas de MDF entalhadas”, acrescenta Izabel Souki.

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Há empresas que apostam até mesmo na criação de produtos que aliam beleza à sustentabilidade. Foi pensando em atender essa demanda que a Hunter Douglas desenvolveu o wovin wall, sistema tridimensional, que também tem propriedades acústicas, como conta a arquiteta Ana Paula Taneze Borges de Oliveira. “Disponível em várias espessuras – de 1,6mm a 25mm –, os painéis podem se tornar revestimentos de paredes, divisórias, biombos ou até mesmo portas de correr entre um cômodo e outro.

Ana Paula conta, ainda, que os módulos de wovin wall foram desenvolvidos para utilização em ambientes internos, podem ser aplicados em paredes e forros, e têm diversas possibilidades de acabamentos. “Como painéis translúcidos da Linha Varia 3form ou acabamentos em laminados sólidos, metalizados e madeirados”, diz.

MOVIMENTO EM EQUILÍBRIO

Harmonia com o restante da decoração é essencial para que os revestimentos tenham o destaque que merecem. Com alguns cuidados, eles podem ser usados em vários ambientes

Sofisticados e bonitos, é praticamente impossível ficar indiferente aos revestimentos tridimensionais. Mas como literalmente saltam aos olhos, é imprescindível empregá-los em harmonia com o restante da decoração. Considerados esses aspectos, eles podem ser utilizados em diversos locais, como explica a designer de interiores Laura Santos. “Desde paredes externas até internas, em salas, corredores, escadas, espaços gourmet e banheiros. Tudo vai depender do impacto e do conceito do ambiente.”

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Na hora de empregá-los, o ideal é estudar qual o efeito a ser buscado por meio do revestimento, como indica Laura. “Ele pode causar a sensação de aconchego (os mais foscos) ou sofisticação (brilhantes). Revestimentos em pedras naturais, como o mármore, a madrepérola ou os compósitos, são os mais valorizados. A escolha desses fará com que o ambiente também se valorize”, diz.

Segundo Izabel Souki, os revestimentos em 3D podem ser utilizados em qualquer ambiente, desde que bem projetados. “Ou seja, a especificação do material por um profissional leva em consideração a funcionalidade, a estética e a praticidade do revestimento. Por exemplo: quando assentado em área molhada, o revestimento deve ser específico para uso em locais com umidade ou contato com água, mesmo que seja um material que apresente volume.”

A engenheira reforça que o revestimento ou qualquer material de acabamento devem ser escolhidos e especificados dentro da proposta de um projeto. “Esse conceito deve levar em consideração questões práticas, como permeabilidade, espessura do material, durabilidade, assim como questões estéticas, que apresentarão cores, sensações e preferências dos usuários do espaço”, explica Izabel.

Arquiteta da Bel Lar, Maristela Broilo conta que há modelos para todos os espaços. “Para áreas internas, como hall, sala de estar e jantar, banheiro, home theater, quartos, cozinha, loja, escritório, e também em áreas externas, como fachadas, espaço gourmet e muros. Para escolher e utilizar as peças, deve haver harmonia com o ambiente e com os outros elementos utilizados. Os volumes, em geral, chamam muito a atenção e devem ser usados com critério.”

SEM RISCO 

Segundo a arquiteta, deve-se ter sempre em mente que o revestimento será o centro das atenções e o restante da decoração não pode competir com ele, evitando o risco de ficar pesado e cansativo. Assim, Maristela indica o uso harmônico com acabamentos mais neutros, para que o revestimento tenha destaque. “Recomendo o uso de cores em tons pastéis, como concreto, nude e moca, em ambientes em que o revestimento não será o maior destaque.”

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Os volumes são encontrados também coloridos, em mosaicos e desenhos geométricos, e podem ter a possibilidade de receber pintura para ornar com os demais elementos da decoração. “Caso a atenção seja voltada somente para o revestimento, poderá vir em cores mais fortes, como os tons prata e turquesa, e quentes, como os tons terrosos e até dourados”, informa.

Ao escolher os móveis para compor essa decoração, o conselho de Fabiana Visacro é que se opte pelos que tenham design mais limpo e sem textura. “Deixe realçar apenas a textura e o volume do revestimento. Se ele for fosco, você pode optar por móveis com brilho, como a laca. Mas, se tiver brilho, o ideal é utilizar o tom fosco nos móveis. Dessa forma, tudo se equilibrará sem brigar visualmente e nem pesar.”

EM SINTONIA COM O ESTILO

O mais aconselhável é, na hora de escolher um acabamento, principalmente um revestimento que tem volume, inseri-lo dentro de um ambiente como um todo, pensando em cores, luz, espaço e funcionalidade, leiaute, entre outros, como indica Izabel Souki. “Na arquitetura de ambientes tudo é possível, desde que seja dentro do contexto do projeto.”

Para valorizar ainda mais o revestimento tridimensional, um recurso que pode surtir grandes efeitos é a iluminação, como aponta Izabel. “Se queremos destacar o revestimento com volume, a iluminação pode ser projetada de forma que essa superfície seja mostrada com luz geral, ou então trabalhar a superfície com efeitos de luz e sombra. Tudo dependerá de como o espaço como um todo será tratado e projetado.”

Mas antes de optar pelo revestimento, a engenheira alerta que os acabamentos são grandes responsáveis pela elevação do custo de uma obra, o que torna necessário pensar na disponibilidade de investimentos financeiros na hora de escolher. “Existem no mercado inúmeras possibilidades para acabamentos. Assim, se o desejo é economizar, a escolha do material deve ser ainda mais analisada e pensada dentro de um projeto, já que é possível usar a criatividade e conhecimentos a favor da economia.”

De qualquer forma, Izabel Souki aconselha que o consumidor faça uma pesquisa antes de comprar. “Os valores desses materiais variam conforme a região, tipo de revestimento e a loja em que for adquirido. As variações podem ser grandes, de R$ 70 a R$ 2 mil o metro quadrado, dependendo do material escolhido.” No caso do wovin wall, sistema que consiste em uma grelha metálica que pode ser fixada em qualquer superfície interna vertical ou horizontal, a arquiteta Ana Paula de Oliveira diz que o valor aproximado do produto é entre R$ 600 e R$ 1,2 mil o metro quadrado.

Outro ponto que pode ser considerado como muito importante antes de escolher o revestimento 3D é sua durabilidade. “Para isso, é necessário avaliar alguns pontos. Primeiro, o tipo de material do qual o revestimento é feito. Por exemplo: azulejos ou porcelanatos com texturas tendem a ser mais duráveis do que os revestimentos de papéis de parede, que apresentam textura e volume”, conta Izabel Souki.

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