Casa na serra aposta em madeira e vidro para aproveitar o verde

Madeira, vidro e verde desenham esta casa na serra fluminense, assinada pelo arquiteto Cadas Abranches.

O terreno de aproximadamente 180 mil m² é quase todo uma floresta preservada, com direito a várias espécies de vegetação nativa, típicas da serra fluminense. Foi ali, entre quaresmeiras, ipês e aroeiras, que a família carioca, já dona de um refúgio na praia e uma fazenda no pantanal, resolveu instalar sua casa de campo. Instalar, sim, porque logo na primeira conversa que tiveram com o arquiteto Cadas Abranches, autor do projeto, pediram que fosse mexido minimamente nos contornos e topografia do lugar, só suavizando os aclives para tornar a circulação, entre os pavilhões social, de lazer e de hóspedes, o mais natural possível. “Eles são extremamente ligados à estética e, de cara, definiram que a madeira e o vidro iriam ser os padrões predominantes. Com tanto verde lá fora, o interior das casas dialoga o tempo todo com o entorno, desenhando ambientes amplos e abertos, mas que conseguem o acolhimento que a região pede”, conta o arquiteto.

O silêncio absoluto da mata preservada, entremeado com o canto suave do vento e dos pássaros da região, pontua uma verdadeira sinfonia estética, repleta de nuances de conforto e elegância.

Para relaxar, a piscina aquecida, com hidromassagem, foi cercada por um bangalô aconchegante, com teto de duas águas e forro de madeira.

No bangalô, quase não há paredes, só portas de vidro e muito verde. “Toda a estrutura fica aparente. Faço uma releitura contemporânea das construções rústicas, típicas da serra”, afirma Cadas.

No teto da sala de estar, o pergolado de madeira foi forrado embaixo com palha (execução da Fibra Nativa), não impedindo a entrada de luz. luminárias de cobre de Maneco Quinderé.

Os sofás com estrutura de palha (Vimoso) dão charme ao ambiente de estar, posicionado ao lado da sala de almoço, onde duas mesas de laca branca (serpa Marcenaria) foram cercadas por cadeiras de bambu do arquivo contemporâneo.

O vaso azul, da indonésia, dá as boas-vindas a quem entra e contrasta com o tom de mel da peroba, presente em toda a marcenaria.

Os sofás (c.R.santos) brancos, com traço italiano, fazem par com a mesa de centro desenhada por cadas (Marcenaria Emam). Na parede, tela de Daniel Senise.

Fibras naturais, como a palha e a madeira, compõem a paleta de tons neutros na ampla varanda, que dispensa guardacorpo e ganhaa proteção das plantas ao redor. A iluminação é toda assinada por Maneco Quinderé.

O pavilhão de lazer possui piso externo de mármore bege bahia levigado.

Os dois blocos da casa ficam elevados no terreno, que teve a topografia original respeitada para evitar deslocamentos de terra. “A construção parece pousar na paisagem com leveza e elegância”, afirma Cadas. Paisagismo de C. Minoru Kanagusko.

Estetas por natureza e experts quando o assunto é conforto, os proprietários definiram com clareza o uso do espaço: a casa na serra seria o grande ponto de encontro da família e, por causa da proximidade com o Rio, poderá virar o pouso perfeito para estadas mais longas quando, em breve, a rotina de trabalho do casal se tornar menos demandante. “Como eles têm ideia de passar boas temporadas na serra, não abriram mão de nenhum conforto. A marcenaria foi planejada em detalhes e há uma área social generosa para receber os amigos”, afirma Cadas, que dividiu a ocupação do terreno em três construções diferentes. “A principal se limita à área social e à suíte dos proprietários, além de dois quartos de hóspedes e uma biblioteca, que pode funcionar como escritório no futuro. A parte dos filhos é independente. Por último há o pavilhão de lazer, posicionado um pouco mais embaixo, à beira da piscina. Existe uma visível harmonia de formas e matérias-primas. Juntas, elas se completam”, revela.

Na sala de estar da casa principal, a sofisticação vem da estrutura minimalista, com pé-direito duplo e a escada de linhas retas, que se destaca como uma escultura concreta moldada em peroba-do-campo e vidro. “O grande diferencial do projeto é essa sensação permanente, seja no interior, seja na parte externa, de estar no meio da mata, como em um mirante. E o investimento no conforto, em cada detalhe, remete a um convívio relaxante e aconchegante. Existe aqui um refúgio dos mais sofisticados, mas que não perdeu a essência de uma simples casa de campo”, conta o arquiteto, que montou a circulação superior na forma de uma passarela, aberta, que liga a suíte do casal, de um lado, aos dois quartos de hóspedes, do outro. “Na verdade, todo o projeto tenta interferir minimamente na paisagem. Quem entra tem imediatamente a certeza de que está em um ponto privilegiado e preservado do planeta. E a cidade grande fica lá embaixo…”, completa ele.

Fonte: Casa Claudia Luxo –  Reportagem Simone Raitzik – Fotos Juliano Colodeti/MCA Estúdio

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