Bienal de Arquitetura se espalha pela cidade

São Paulo aprende como aproveitar seus espaços.
  (Foto: Marco Antonio)

O Sesc Pompeia, segundo Guilherme Wisnik, não recebe apenas interessados nos shows e oficinas da programação, pois moradores do bairro vão até lá jogar damas, ler jornal e bater papo com os amigos (Foto: Marco Antonio)

Durante o dia, de segunda a sábado, a via elevada Presidente Artur da Costa e Silva, nome oficial do Minhocão, dá preferência aos carros. Mas, entre 21h30 e 6h30, e aos domingos e feriados, o território é dominado por ciclistas e pedestres, que aproveitam o bloqueio do viaduto aos automóveis para circular livre e tranquilamente por seus 3,4 km de extensão.

“Essa iniciativa demonstra a tendência de flexibilização do uso das cidades”, aponta o arquiteto Renato Cymbalista, professor de urbanismo da FAU-USP. A origem desse novo cenário, diz ele, está na internet. “Redes sociais e outras plataformas interativas vêm estimulando a população a pensar sobre os espaços públicos e a maneira de utilizá-los. As pessoas agora se sentem mais ‘donas’ dos ambientes urbanos e manifestam isso ocupando-os, muitas vezes, de formas que não estavam previstas originalmente”, completa.

  (Foto: Priscilla Vilariño)

Elevado Costa e Silva, o popular Minhocão, em um domingo, quando fecha para os carros (Foto: Priscilla Vilariño)

Atentos a essa percepção, Guilherme Wisnik, Ana Luiza Nobre e Ligia Nobre, curadores da X Bienal de Arquitetura de São Paulo, levaram o assunto para o evento, aberto ao público entre o dia 12 deste mês e 1º de dezembro. Como tema Cidade: modos de fazer, modos de usar – modos de agir, a mostra abordará a apropriação que os moradores fazem do ambiente urbano em dezenas de exposições – que, pela primeira vez, não ocuparão um único local,mas ficarão espalhadas em pontos diversos, como o Masp e o Centro Cultural São Paulo, todos próximos a estações de metrô. “Queremos discutir também a acessibilidade por meio do transporte de massas. Para isso, é importante que o público vivencie a experiência de circular por São Paulo usando esse sistema”, diz Wisnik.

  (Foto: José Cordeiro)

O vão livre do Masp, na avenida Paulista, ganhou vida própria – além de uma feira de antiguidades , o espaço recebe manifestações de diferentes naturezas (Foto: José Cordeiro)

Segundo o curador, não faltam exemplos de novas e melhores maneiras de utilização dos espaços públicos. “Na capital paulista, há a praça Roosevelt, que aos poucos tornou-se um reduto de skatistas. E o Centro Cultural São Paulo, que virou um ponto de encontro fervilhante, independentemente da programação em cartaz. Muita gente vai até lá para estudar, ver os amigos e praticar street dance”, afirma ele.

Boas ideias podem inclusive ser transportadas de um local para outro. “Em São Francisco, nos Estados Unidos, nasceu o conceito dos parklets, que transforma vagas de estacionamento em áreas de convivência. Já estão ocorrendo tentativas de implantar miniparques assim em São Paulo”, conta Cymbalista. Iniciativas desse gênero, no Brasil e no exterior, permeiam as diferentes exposições da Bienal. Em todas, um ponto em comum: como compor a cidade onde queremos viver.

No Centro Cultural São Paulo, pessoas costumam se reunir para atividades diversas, que vão muito além das peças de teatro ou exposições em cartaz (Foto: João Mussolin)

DESTAQUES DO EVENTO

• Detroit: ponto morto? Fotos e vídeos retratam o declínio da cidade americana que foi símbolo da indústria automobilística mundial. No Centro Cultural São Paulo.

• RioNow Trata das mudanças urbanas vividas pela capital fluminense por conta da Olimpíada. Também no Centro Cultural São Paulo.

• O asfalto e a areia Relaciona arte e arquitetura, com trabalhos de nomes como Lina Bo Bardi, Paulo Mendes da Rocha, Hélio Oiticica e Cildo Meireles. No Masp.

• Arquivo Brasília Rico acervo de fotos que mostram a construção da capital federal, exibido pela primeira vez em São Paulo. No Centro Universitário Maria Antonia.

• High Line Um apartamento localizado em frente ao Minhocão, e na mesma altura do viaduto, receberá a exposição que aborda propostas ligadas a vias elevadas. Na Associação Parque Minhocão.

• Estudio MCA Palestra do arquiteto Mario Cucinella sobre o projeto de regeneração e renovação do bairro Catania San Berillo, da cidade de Catania na Sicilia. Dia 15 outubro de 2013, às 15:00, na Praça Victor Civita.

* Matéria publicada em Casa Vogue #338 (assinantes têm acesso à edição digital da revista)

  (Foto: Marco Antonio)

As múltiplas passarelas do Sesc Pompeia, idelaizadas por Lina Bo Bardi (Foto: Marco Antonio)

Fonte: Casa Vogue – Por Rosele Martins; Fotos Divulgação

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