Febre de compactos esquenta o setor

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Vendas de um dormitório novo crescem 330% e os usados valorizam 15% em doze meses.

A temperatura chegou ao pico: 330% de aumento nas vendas dos compactos de até um dormitório. Foram 4.142 unidades no primeiro semestre contra 964 no mesmo período de 2012.
Segundo o Sindicato da Habitação (Secovi), os lançamentos de um quarto representam 26% de tudo o que foi produzido em São Paulo nos primeiros oito meses do ano: 4.741 apartamentos para um total de 18.261.

No mercado de usados,o índice FipeZap aponta que imóveis de um quarto valorizaram 15% em 12 meses. No período entre janeiro de 2008 e setembro passado, acumularam alta de 210% no preço, 25 pontos percentuais acima de unidades com mais dormitórios, cuja média ficou em 185% de majoração.

“Há inúmeros motivos para explicar o aquecimento nos lançamentos e vendas de um dormitório. Essa tipologia atende aos interesses de investidores que, até 2010, estavam carreando recursos para salas comerciais”, afirma o economista -chefe do Secovi- SP, Celso Petrucci.

A febre de lançamentos concentra- se no centro expandido da capital, em eixos de transporte público com metrô e corredores de ônibus. “Interligação com a mobilidade urbana confere maior liquidez ao produto, dando maior vantagem para quem compra, aluga ou vende”, avalia.

O público do um dormitório,é formado por jovens em busca de avanço profissional e na educação. Também fazem parte desse grupo, os solteiros, divorciados e viúvos, para quem a oferta de serviços, incluindo os do tipo pay-per-use como lavanderia, arrumação, manutenção e reparos, podem atender às suas necessidades, declara Petrucci. Para ele, porém, esses serviços não podem ser considerados a principal alavanca de valorização. “Nem é tendência.”

Característica marcante é o encolhimento de tais unidades. Segundo a Embraesp, a redução de tamanho beirou 30%: de 55,7 m² de área média em2009 para 39,5 m² no ano passado.
Expoente dessa tendência de compactação, Alexandre Lafer Frankel, CEO da Vitacon, lançou em maio a torre Casa Turiassu com unidades a partir de 21 m², no bairro de Perdizes, na zona oeste da cidade.

Fundada em 2010, a Vitacon já lançou 36 empreendimentos, somando 2.815 unidades, das quais 57% de um dormitório, diz Frankel. “Até o fim do ano, serão mais cinco empreendimentos.” Ele adota como palavras de ordem: mobilidade, praticidade, design e compactação de espaço, construindo torres em áreas nobres de São Paulo.

Em parceria com o designer canadense Graham Hill, a construtora lança agora o VNQuatá. Serão 48 studios de 19 m² no total de 86 unidades, de até 52 m². “O preço do m² varia de R$ 14 mil a R$ 16 mil”, diz. Com tal parâmetro, o micro apartamento sai por R$300mil, só o casco.

“Hill não é só arquiteto, é um ícone da filosofia de vida”, diz Frankel, contando que ficou amigo do canadense dois anos atrás. Em 2009, Hill criou em Nova York, uma habitação minimalista de 39 m², com tecnologia e design: cama embutida na parede, beliche retrátil, mesa de jantar para 12 pessoas que sai do armário, paredes móveis para dividir ambientes, etc. Um “apartamento do futuro”, como foi classificado pelo The New York Times.

Hill fundou a empresa Life Edited e dá consultoria para construir micro apartamentos em São Francisco, Nova York e, agora, em São Paulo. Seu objetivo: mostrar que é possível viver bem com menos coisas em casa. Os studios do VN Quatá, de 18 andares, também terão móveis embutidos. A conclusão da obra está prevista para 2016.

Até onde chegar á tal compactação? Frankel responde: “A lei impõe limites para reduzir área de compartimentos, cozinha e banheiro. Acho que não dá para diminuir além desses 19 m².”

O processo de encolhimento esta à beira do esgotamento, como diz o consultor João da Rocha Lima Jr. Para ele, diminuir a área do imóvel é um jeito de fazer com que o teto do seu valor caiba na faixa mais aquecida do mercado.

CAMPEÃO TRADICIONAL
Os mais vendidos no mercado de novos continuam sendo os dois quartos, que abocanharam 44% de participação, segundoo Secovi: 10.048 unidades para um total de 22.638 imóveis de todos os tipos. Como principal imóvel de entrada para quem busca casa própria, o segmento perde espaço para as pequenas coqueluches, que parecem ser o alvo até de famílias com filhos.

“Tradicionalmente, os dois dormitórios atendiam às famílias em busca do imóvel para a primeira moradia”, diz Petrucci. Agora, existe divisão, para esse fim, com as unidades de um quarto. “A escolha por um dormitório reflete ainda as mudanças demográficas e sociais, pois hoje há grande número de solteiros, casais jovens,com 25 a 35 anos, adquirindo seu primeiro imóvel, além dos divorciados. Temos de considerar, também, novos arranjos familiares.”

Petrucci lembra que, em 2007 e 2008, os apartamentos de três e quatro dormitórios ganharam destaque em termos de lançamentos e vendas, mas “neste ano a boa surpresa fica por conta do desempenho das unidades de um dormitório”. A previsão do Secovi é que sejam lançados 6 mil apartamentos deste tipo em 2013. “Para 2014, acreditamos em crescimento de 5% a 10%”, diz o economista.

Fonte:  I Corretores – Por Heraldo Vaz – Especial para o Estado

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