Proposta de revitalização do Vale do Anhangabaú valoriza experiência sensorial e otimização dos espaços urbanos

Plano, ainda piloto e em fase de debates, propõe mudanças em quatro regiões centrais de São Paulo
No Vale do Anhangabaú, seria criado um espelho d'água com jatos iluminados, sobre o qual a população pudesse andar descalça.

No Vale do Anhangabaú, seria criado um espelho d’água com jatos iluminados, sobre o qual a população pudesse andar descalça.
Divulgação Prefeitura do Município de São Paulo

Um lugar inclusivo, bem conectado, seguro e com uma identidade visual própria. São esses os valores que norteiam o projeto piloto de revitalização do Vale do Anhangabaú, apresentada pela Prefeitura do Município de São Paulo na última terça-feira (17). O projeto, parte das medidas do plano “Centro, diálogo aberto”, contou com a colaboração do arquiteto David Sim, do escritório dinamarquês Gehl Architects, e do Banco Itaú. 

David explica que o projeto foi inspirado em outras metrópoles do mundo, como o Bryant Park, em Nova York, que conseguem integrar a vida diária dos cidadãos à diversão dos finais de semana. “Passamos muito tempo na rua, observando, andando e vendo o que poderia funcionar no Brasil”, disse.

Entre as propostas para a revitalização, David citou a introdução da água como uma boa experiência estética e sensorial para os moradores da cidade. Segundo o arquiteto, como as tradicionais fontes de água caíram em desuso em outras metrópoles, a proposta seria criar um espelho d’água com jatos iluminados, sobre o qual a população pudesse andar descalça.

No Largo São Francisco, a criação de um calçadão que ligaria a Faculdade de Direito ao estacionamento traria maior dinamismo e integração.

No Largo São Francisco, a criação de um calçadão que ligaria a Faculdade de Direito ao estacionamento traria maior dinamismo e integração.
Divulgação Prefeitura do Município de São Paulo

David também destacou a necessidade de haver mais lugares para se sentar. “Imaginamos bancos que sejam convidativos, nos quais uma família inteira possa passar o tempo reunida”, disse. A ideia seria combinar diferentes tipos de bancos com mesas e cadeiras portáteis, de acordo com a necessidade de cada lugar.

O projeto ainda inclui o plantio de mais árvores para completar as 92 já existentes na região, além de um projeto de iluminação, que foi uma das principais reclamações da população durante as pesquisas.

De acordo com o arquiteto, além das mudanças nos espaços comuns, o grupo de trabalho pensou em sugestões para tornar as fachadas dos edifícios mais funcionais e convidativas. “Temos muitas janelas e portas, mas não dá para ver o que há dentro dos prédios. Queremos acrescentar a cultura de atividades com pequenas lojas e quiosques nesses locais”, explicou.

Na Avenida São João e no Largo Paissandu, a ideia é melhorar a espera pelos ônibus, com a criação de uma nova praça e de ambientes urbanos agradáveis

Na Avenida São João e no Largo Paissandu, a ideia é melhorar a espera pelos ônibus, com a criação de uma nova praça e de ambientes urbanos agradáveis.
Divulgação Prefeitura do Município de São Paulo

Na Avenida São João, o foco do projeto seria melhorar a espera pelos ônibus, com a criação de uma nova praça e de ambientes urbanos que sejam agradáveis à população, além da presença de mais linhas de ônibus.

Para a Rua 25 de Março, a proposta visa a aperfeiçoar a experiência do andar pelas ruas ao priorizar o espaço para as pessoas no lugar dos carros. David explicou: “Tiraríamos 25 vagas de estacionamento, mas criaríamos uma praça para a população descansar entre as compras”.

As mudanças na região do Pateo do Colégio foram pensadas tornar o local apropriado para passeios culturais, pois hoje os professores sofrem para manter os alunos concentrados em um mesmo local durante as visitas. A ideia seria diminuir o tráfego e abrir mais espaço para cafés e restaurantes.

Por fim, no Largo São Francisco o objetivo é melhorar a vida noturna da região e transformá-la numa área mais dinâmica e iluminada para os 3 mil estudantes que passam todos os dias pelo local. “Como a faculdade é isolada da praça, queremos fazer um calçadão para os estudantes circulares e usarem bicicleta”, disse.

O projeto para o Pateo do Colégio visa a tornar a região mais atrativa para passeios culturais por meio de mais espaços de circulação e menos tráfego.

O projeto para o Pateo do Colégio visa a tornar a região mais atrativa para passeios culturais por meio de mais espaços de circulação e menos tráfego.
Divulgação Prefeitura do Município de São Paulo

Críticas

Alguns moradores presentes no evento da apresentação criticaram o projeto de reurbanização, pois ele não previa medidas relativas aos moradores de rua e a problemas sociais da região. David, em resposta, disse que o urbanismo não soluciona todas as mazelas de um lugar, “mas pode contribuir para criar espaços públicos dignos como primeiro passo”.

O secretário de Desenvolvimento Urbano, Fernando de Mello Franco, destacou que o plano está em fase de debates. “A partir de hoje poderemos identificar os conflitos, desejos e as formas possíveis de coexistência dos espaços da cidade. O plano não resume e não recebe todas as políticas públicas”.

As modificações e sugestões da população serão incorporadas ao plano, que deverá ser finalizado entre fevereiro e março de 2013. A partir de então, os projetos começam a ser testados com iniciativas como a instalação de móveis temporários nas regiões estudadas. Uma vez avaliadas e aprovadas, as medidas devem se tornar permanentes.

Fonte: PINIweb – Por Camila Berto Tescarollo

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