Chu Ming Silveira: A arquiteta por trás do projeto do orelhão

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Os orelhões são parte da paisagem urbana brasileira e sua forma icônica perpetuou-se no imaginário da população. Além de possibilitar a comunicação, o orelhão funcionava como um mobiliário urbano, ou mesmo como referência ou ponto de encontro antes da popularização dos telefones celulares. Seu projeto foi desenvolvido por Chu Ming Silveira, nascida em Xangai e formada em Arquitetura e Urbanismo na FAU-Mackenzie, em São Paulo, no ano de 1964. Em 1966, começou a trabalhar na Companhia Telefônica Brasileira (CTB), em São Paulo, realizando anteprojetos, supervisão e coordenação do desenvolvimento dos projetos de Centrais Telefônicas e Postos de Serviço, além de acompanhamento de obras.

Segundo o memorial descritivo, a principal demanda do projeto era encontrar uma solução em termos de design e acústica para protetores de telefones públicos, que apresentasse uma relação custo-desempenho e que fosse adequada às condições ambientais. Chu Ming inspirou-se na forma do ovo para propor uma estrutura forte, leve, resistente ao sol e à chuva, barata, e com um bom desempenho acústico. Isso porque a maior parte do ruído externo era refletido pela forma, enquanto que os sons produzidos internamente convergiam para o centro do raio de curvatura, localizado logo abaixo do ouvido do usuário médio, minimizando a interferência na comunicação.

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Apesar de o orelhão ter se tornado o formato mais popular, foram desenvolvidos estudos para três classes do problema: solução para ambientes fechados, para ambientes semi-abertos e para ambientes abertos. Para isso foram propostos os “orelhinhas”, as “conchas” e os “orelhões” propriamente ditos, respectivamente. Enquanto os “orelhinhas” contavam com dimensões menores, e eram feitos de acrílico, translúcidos, os orelhões eram mais robustos para suportar condições mais desfavoráveis: aplicação externa, a todo tipo de público. O material também os diferenciava, já que os orelhões eram feitos em fibra de vidro. As conchas, por outro lado, contavam com uma forma mais esférica que os outros dois e eram implantadas em postos de combustível, principalmente. As conchas e os orelhinhas eram fixados diretamente na parede, enquanto os orelhões em postes, permitindo um arranjo com dois ou mais aparelhos com apenas uma estrutura de apoio vertical. Com isso, era possível um aproveitamento de espaço superior às antigas cabines telefônicas, por exemplo, utilizando muito menos material e com uma construção simples.

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O projeto de Chu Ming teve um reconhecimento expressivo na mídia, popularizou-se em todo o território brasileiro e, inclusive, recebeu um texto de Carlos Drummond de Andrade. O orelhão e adaptações do projeto da arquiteta foram exportados para diversos países da América Latina, como Peru, Colômbia, Paraguai, e outros países como Angola, e até mesmo China. Chu Ming faleceu em 1997 e faria 76 anos hoje, dia 04 de abril de 2017. Seus filhos mantêm o acervo sobre o projeto no site orelhao.arq.br/.

Fonte: Arch daily

As três mulheres ‘excepcionais’ que ajudaram a desenhar a paisagem de São Paulo

24_arquiteturaPainel de Aço no Instituto Tomie Ohtake – obra com 45 metros de altura e 10,80 metros de largura.

O paisagismo e a arquitetura brasileiros costumam ser lembrados pelo trabalho de homens como Oscar Niemeyer (1907 – 2012) e Roberto Burle Marx (1909 – 1994). Muitas mulheres, contudo, ajudaram a desenhar prédios, lugares e paisagens mundialmente famosos, como o MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – um dos principais cartões postais da capital paulista.
“As mulheres no Brasil, à semelhança do que ocorreu em toda a América Latina, começam a contribuir mais efetivamente para a arquitetura em torno da década de 1940. Na maior parte das vezes, atuaram em parceria com seus colegas homens, mas essa contribuição é pouco conhecida porque os nomes delas foram omitidos ou desconsiderados na atribuição da autoria dos projetos”, explica a professora do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Ana Gabriela Godinho Lima.

Em São Paulo, maior cidade da América Latina, três mulheres ajudaram a projetar os principais espaços públicos: a arquiteta Lina Bo Bardi, a artista plástica Tomie Ohtake e a urbanista Rosa Kliass.

“A força plástica da presença das obras de Tomie Ohtake e Lina Bo Bardi em São Paulo, somadas aos projetos paisagísticos de Rosa Kliass, formam um roteiro maravilhoso da história da cidade de São Paulo”, explica Lima.

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Painel da Ladeira da Memória, no Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo.

Além da importância do ponto de vista da arquitetura e urbanismo, a pesquisadora afirma que estas três mulheres e suas obras ajudam a descrever a diversidade cultural de São Paulo.

“Tomie Ohtake, de origem japonesa, nasceu em Quioto em 1913, naturalizou-se brasileira e faleceu em São Paulo em 2015. Lina Bo Bardi, nasceu em Roma em 1914, naturalizou-se brasileira em morreu em São Paulo em 1992. Rosa Grena Kliass, nascida em São Roque e formada em 1955 na FAU – USP, é uma representante da comunidade judaica. As três formam, portanto, um trio que representa muito da história e cultura paulistana”, conta.

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Escultura vermelha e prata da Av Paulista. Em aço carbono, a escultura mede 8,5m de altura e pesa 7 toneladas.

Mulheres “excepcionais”

Lima explica que profissionais que ganharam protagonismo na projeção de construções públicas, como a arquiteta Lima Bo Bardi – que se tornou um marco internacional na arquitetura de museus com a construção do MASP – foram chamadas pela academia como “excepcionais”.

“O papel de ‘arquiteta excepcional’ foi identificado em primeiro lugar pela pesquisadora americana Gwendolyn Wright e dá conta de explicar como essas mulheres, à custa de renúncias pessoais, como a constituição de uma família, ter filhos etc, alcançaram grande projeção e prestígio”.

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Escultura em Aço Carbono em Frente ao Edificio Berrini – projeto de Tomie Ohtake.

A pesquisadora lembra que muitas dessas profissionais “excepcionais” tiveram seu protagonismo ignorado por anos. Um exemplo é a engenheira Carmem Portinho, que ajudou no Projeto do Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes, conhecido por “Pedregulho” (1947), e no Museu de Arte Moderna (1952), ambos no Rio de Janeiro. “A autoria de ambos projetos foi atribuída, por muitas décadas, apenas a Affonso Eduardo Reidy. Até hoje é possível encontrar textos recentes que não reconhecem o papel de Portinho na concepção destas duas obras”, informa Lima.

A construção do maior aterro do mundo, o Parque do Flamengo, inaugurado em 1965 no Rio de Janeiro, teve a participação de Maria Carlota Costallat de Macedo Soares que, segundo Lima, também teve seu protagonismo ignorado na arquitetura.

Apesar do pouco reconhecimento na arquitetura das cidades, algumas “excepcionais” conseguiram ter seu protagonismo valorizado: em 1997, uma das obras de Tomie Ohtake dedicadas a homenagear a imigração japonesa no Brasil foi inaugurada pelo próprio imperador japonês Akihito e imperatriz Michiko; em 2016, o conjunto arquitetônico do Sesc Pompeia, na Zona Oeste de São Paulo, projetado por Lina Bo Bardi, foi eleito pelo jornal britânico The Guardian a sexta melhor construção do mundo.

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Conjunto arquitetônico do SESC Pompéia por Lina Bo Bardi.

Roteiro pelas construções de mulheres em São Paulo

A reportagem da BBC Brasil visitou as principais obras públicas de Bo Bardi, Ohtake e Kliass que ajudam a contar a história da cidade de São Paulo no século 20 e montou o roteiro abaixo.

– Construções de Lina Bo Bardi

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A casa em que morou a vida toda, Casa de Vidro, no Morumbi, foi a primeira construção de Lina Bo Bardi.

A italiana Lina Bo Bardi se mudou para o Brasil em 1946, com o final da Segunda Guerra Mundial, à procura de um país onde não se destruía, mas se construía. Tornou-se mundialmente famosa por projetar espaços voltados às artes em São Paulo.

MASP: Construído na década de 1960, Lina projetou o MASP, localizado na Avenida Paulista, a convite do jornalista Assis Chateaubriand. Vários de seus objetos pessoais, como parte da sua biblioteca particular, pertencem hoje ao acervo do museu. O prédio é tombado pelo Iphan.

Teatro Oficina: Além do MASP, Bo Bardi ajudou a construir um dos principais e mais antigos teatros em funcionamentos do Brasil, o Teatro Oficina, no bairro do Bixiga. Amiga do diretor e ator Zé Celso, Lina, que também atuou como designer, ajudou a montar diversos cenários e figurinos do Teatro Oficina.

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A Casa de Vidro – Moradia Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi por Lina Bo Bardi.

Casa de Vidro: A casa em que morou a vida toda, Casa de Vidro, no Morumbi, foi a primeira construção de Lina Bo Bardi, hoje museu dedicado à memória da arquiteta, o Instituto Bardi. A construção, cercada paredes de vidro sem parapeitos, é ícone da arquitetura moderna no Brasil. O jardim de 7.000 m2 da casa foi plantado pela própria Lina, assim como parte dos móveis também foram desenhados pela arquiteta. Construída em 1951, a Casa de Vidro também ajuda contar parte da história cultural do Brasil, pois reunia amigos de Lina como Glauber Rocha.

Conjunto arquitetônico do SESC Pompéia: inaugurado na década de 1980, é outra obra de Lina e tombada pelo Iphan. O prédio apareceu na lista do The Guardian como um dos 10 melhores prédios do mundo.

– Paisagens de Rosa Kliass

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Rosa Kliass, 84 anos, nascida no interior de São Paulo, foi a primeira arquiteta paisagista mulher do Brasil, sendo a criadora da Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas.

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Parque da Junvetude – Utilizando partes do antigo Carandiru – por Rosa Kliass

Na gestão do prefeito Faria Lima (1965-1969), ajudou a organizar o Departamento de Parques e Áreas Verdes da Prefeitura de São Paulo (Depave). Projetou as áreas verdes da Avenida Paulista (1973) e a sinalização das placas da avenida, revitalizou a paisagem do Vale do Anhangabaú (1981), no centro de São Paulo, e transformou a área que abrigava o Complexo Penitenciário do Carandiru em um dos principais parques públicos paulistanos, o Parque da Juventude, na Zona Norte (concluído em 2007).

– Obras de Tomie Otake

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Com esculturas e painéis gigantes, Tomie Ohtake se transformou em ‘ícone múltiplo’, segundo Paulo Miyada

Com esculturas e painéis gigantes, Tomie Ohtake ajudou a narrar a participação dos imigrantes japoneses na formação de São Paulo, mas não somente. Segundo o arquiteto e curador do Instituto Tomie Ohtake, Paulo Miyada, “No campo simbólico, Tomie Ohtake é reconhecida como ícone múltiplo, que contempla, a um só tempo: a singularidade da cultura nipo-brasileira desenvolvida no último século; a importância e ousadia das artistas mulheres na modernidade nacional; e o potencial inventivo de criadores que não cabem na alcunha de ‘jovens'”.

“Relembrar as obras de Tomie Ohtake é uma forma de identificar muitos dos espaços simbólicos que já tinham papel fundamental na vida na metrópole, como o centro histórico de São Paulo e a Avenida Paulista, e outros que ganharam mais e mais importância nesse período, como o Monumento à Imigração Japonesa na Avenida Vinte e Três de Maio e os painéis na linha verde do Metrô”, explica o curador.

Monumento à Imigração Japonesa – Localizado na Avenida 23 de Maio. São quatro faixas de 12 metros de concreto, em formato de ondas, que representam as gerações de japoneses que vieram para o Brasil.

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Monumento à Imigração Japonesa.

Painéis “As Quatro Estações”, localizados no metrô Consolação. Trata-se de um conjunto de quatro painéis de 2 metros por 15,40 metros.

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Painel no metrô Consolação.

Escultura vermelha e prata da Av Paulista – Em aço carbono, a escultura mede 8,5m de altura e pesa 7 toneladas.

24_arquitetura12Escultura vermelha e prata da Av Paulista.

Painel do Edifício Tomie Otake – Obra com 45 metros de altura e 10,80 metros de largura.

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Painel de Aço no Instituto Tomie Ohtake – obra com 45 metros de altura e 10,80 metros de largura.

Fonte: BBC 

Cinco feiras de arquitetura e decoração imperdíveis em 2017

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Quem está na área ou acompanha o mercado de arquitetura e construção, sabe a necessidade de estar constantemente se informando e reciclando conhecimentos. Não existe melhor forma para isso do que investir em feiras e capacitação, além de conteúdos que podem ser acessados na Revista Digital de Arquitetura e Construção. O calendário de 2017 já chega cheio de novidades e você pode conferir uma seleção com cinco feiras imperdíveis este ano.

ABUP Móvel

A Associação Brasileira de Utilidades e Presentes acontece em três segmentos: ABUP Show, ABUP Móvel e ABUP Têxtil. A feira divulga as novidades do mercado de decoração, presentes, móveis, tecidos e utilidades direcionadas para lojistas e profissionais do ramo. É interessante para decoradores, arquitetos, designers e fornecedores ficarem a par das últimas novidades. Na última edição, levaram muitas peças inspiradas na brasilidade utilizando cerâmica e madeira como matéria-prima, com destaque para stands com móveis estilo retrô.

Quando acontece: 5 a 8 de fevereiro

Onde acontece: Rua Samaritá, 230 – Casa Verde – São Paulo – SP

ABIMAD

Organizada pela Associação Brasileira das Indústrias de Móveis de Alta Decoração, a feira reúne novidades e tendências do setor. Além de fornecedores e lojistas, também conta com a presença de importadores, que trazem mais referências para o setor de decoração e móveis do Brasil.

Quando acontece: 7 a 10 de fevereiro

Onde acontece: Expo Center Norte – Rua José Bernardo Pinto, 333 – Vila Guilherme – São Paulo – SP

Expo Revestir

Feira especializada em acabamentos, apresenta novidades do setor para projetos de arquitetura, decoração e engenharia. Além dos stands, estão programados, simultaneamente, debates e palestras em um ótimo espaço para networking. A edição de 2017 comemora os 15 anos da feira e do Fórum Internacional de Arquitetura e Construção, ou seja, você não pode perder esse evento, que também é conhecido como a “Fashion Week” do setor.

Quando acontece: 7 a 10 de março

Onde acontece: Transamérica Expo Center – Avenida Dr. Mário Villas Boas Rodrigues, 387 – Santo Amaro – São Paulo – SP

FeiconBatimat

Com público composto por engenheiros, decoradores e arquitetos, a feira é o Salão Internacional da Construção. 24 anos de história em uma feira inspiracional, que reúne todos os setores da construção civil e seu mercado.

Quando acontece: 4 a 8 de abril

Onde acontece: São Paulo Expo – Rodovia dos Imigrantes, s/n – Vila Água Funda – São Paulo – SP

XXI Congresso Brasileiro de Arquitetura

Apesar de não ser uma feira, o congresso é parada obrigatória para quem é da área. Além de palestras e debates, servirá como um degrau para o 27º Congresso Mundial da União Internacional dos Arquitetos, que acontecerá em 2020. O evento acontece em Brasília e é apoiado pelo IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil).

Quando acontece: 18 a 21 de abril

Onde acontece: Centro de Convenções Ulysses Guimarães – Setor de Divulgação Cultural – Brasília – DF

Fonte: JEonline

Arquitetura com personalidade para todos os tamanhos

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É possível desenvolver um ambiente moderno, multifuncional e cheio de personalidade, mesmo com apartamentos e casas cada vez menores. A ideia fica evidente no projeto assinado pelos arquitetos Diogo Luz e José Guilherme Carceles, da Casa 100 Arquitetura, para o apartamento de 65 m² localizado em São Paulo, batizado de Poledance.

Projetado para um jovem advogado, solteiro e que gosta de receber amigos, a morada surpreende pela sua multifuncionalidade e design de interiores. Com todo o desenho de marcenaria desenvolvida pelos arquitetos, a proposta do projeto foi criar um ambiente amplo e que atendesse todas as necessidades do cliente. Os móveis baixos que contornam toda a sala, foram pensados para servir de bancos, apoios ou mesa.

“O cliente queria um espaço para dar festas e receber os amigos. Quando perguntamos o que ele queria no projeto, ele respondeu ‘Quero um Poledance’. Por isso o nome. A partir disto, criamos um ambiente leve, mutável, multifuncional, contemporâneo, urbano e livre“, conta o arquiteto Diogo Luz.

Além de pensar no design e no uso dos espaços, Diogo e José Guilherme desenvolveram um projeto luminotécnico com luz indireta na sanca de gesso, que possui duas funções: a iluminação comum do dia a dia ou a colorida para festas. Por estarem sobre a sanca, elas não aparecem, deixando o espaço mais agradável.

O balcão da cozinha foi desenhado com um fecho “toque”, ficando maior conforme o desejo do morador. E para fazer o papel da mesa de jantar foi usado um quadro grafitado, que quando não está sendo utilizado, está pendurado na parede. Um pendente foi instalado sobre o balcão, coroando o ambiente.

Fonte: NH

Livros falam de arquitetura e urbanismo para crianças

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Cortes, plantas, elevações e explicações sobre como as cidades cresceram e foram organizadas. Ainda que lentamente, o universo da arquitetura e do urbanismo está migrando das prateleiras de livros técnicos para as estantes destinadas às crianças e aos livros infantojuvenis.

O movimento é tendência principalmente nos Estados Unidos, onde o catálogo oferece uma variedade de títulos que despertam o leitor para ideias já usadas diariamente em brincadeiras, seja na hora de criar uma casa para as bonecas ou de espalhar pecinhas de Lego pelo chão.

No Brasil, as poucas obras publicadas costumam se dividir entre apresentações de arquitetos famosos, como Oscar Niemeyer e Lina Bo Bardi, e explicações de questões relacionadas às cidades e construções. O último livro do gênero lançado foi “Casacadabra”, da editora Pistache, cuja ilustração abre este texto.

Veja abaixo três livros que abordam arquitetura e urbanismo para crianças.

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CASAS MALUCAS

Existem prédios por aí que mais parecem saídos da cabeça de uma criança. Uns têm formato de bola de futebol, outros ganham cores de dragão, há ainda os que levam jeito de inseto ou outras maluquices.

“Casacadabra” apresenta ao público infantojuvenil dez casas desse tipo, feitas ao redor do mundo por arquitetos famosos –entre eles, três brasileiros: Oscar Niemeyer, Lina Bo Bardi e Eduardo Longo, que criou uma residência em formato de bola em São Paulo. Além deles, há também construções do espanhol Antoni Gaudí, do japonês Sou Fujimoto e do chileno Alejandro Aravena, que ganhou o prêmio Pritzker, considerado o Nobel da arquitetura.

Todo ilustrado, o livro não traz fotos reais das casas sobre as quais fala –o que é uma pena e deixa uma coceira para procurar imagens de todas elas na internet.

“Casacadabra”

Autoras Bianca Antunes e Simone Sayegh
Ilustradora Carolina Hernandes
Editora Pistache
Preço R$ 70 (2016, 80 págs.)
Leitor intermediário + leitura compartilhada

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RIOS FANTASMAS

Quem mora em São Paulo muitas vezes esquece –mas carros e pessoas passam literalmente por cima de rios e córregos todos os dias. No processo de expansão da cidade, muitos dos cursos d’água foram “enterrados” para dar lugar a ruas, avenidas e calçadões.

É o que conta o tio do garoto Breno no livro “A Cidade dos Rios Invisíveis”. Costurando a história do menino com o passado de São Paulo, a obra tem o poder de fazer o leitor refletir sobre como a metrópole chegou a um cenário que conta com rios poluídos, córregos substituídos por asfalto e problemas de enchente a cada estação chuvosa.

Sabia que Pacaembu, Itaquera, Aricanduva e muitos outros nomes de bairros estão relacionados a rios e a uma época em que era possível caçar rãs pela cidade e ver lavadeiras onde hoje só tem trânsito?

“A Cidade dos Rios Invisíveis”

Autora Solange Sánchez
Ilustrador Félix Reiners
Editora Matrix
Preço R$ 19,90 (2016, 48 págs.)
Leitor intermediário

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MUNDO DE LINA

A C4, editora especializada em livros de arquitetura, lançou no ano passado a coleção Arranha-Céu, que conta para crianças a história de algumas das principais construções brasileiras. A estreia foi com “A Cidadela”, sobre a vida de Lina Bo Bardi e o projeto do Sesc Pompeia.

Na história, pisos, paredes, telhados, cimentos e tubulações transformam-se em elementos lúdicos que conduzem o leitor pelo trabalho da arquiteta na recuperação dos galpões de uma antiga fábrica e construção dos edifícios de concreto que definem hoje a unidade do Sesc e mudaram a paisagem do bairro.

A arquiteta também é responsável por locais icônicos da paisagem de São Paulo, como o Masp, a Casa de Vidro e o teatro Oficina.

“A Cidadela”

Autores Baba Vacaro, Daniel Almeida e Rogério Trentini
Editora C4
Preço R$ 20 (2015, 36 págs.)
Leitor iniciante + leitura compartilhada

Fonte: UOL

É tendência: azul é a mais evidente aposta cromática na Mostra Casa&Cia

Tonalidade aparece do turquesa ao azul intenso, em detalhes ou em ambientes inteiros. Confira sugestões para se inspirar
É tendência: azul é a mais evidente aposta cromática na Mostra Casa&Cia Eduardo Liotti/Especial
Aplicado de forma monocromática e em um tom intenso, o azul inspira interatividade e dá forma de galeria temática para o ambiente Visto Azul (acima), reflexo de uma tendência conferida nas recentes cenografias mundiais de design
Foto: Eduardo Liotti / Especial

É a cor do céu, do oceano, da calma e da esperança. Por tudo isso, o azul invadiu a decoração de interiores e não demonstra sinais de cansaço. Na Mostra Casa&Cia não é diferente.

 A tendência cromática ganha fôlego colorindo por completo ou em detalhes paredes, mobiliário e objetos. Para os avessos aos tons frios, um alento: diferentes nuances de azuis – desde os suaves até os intensos – caem bem em projetos de personalidade e à prova de monotonia.

 É o caso do ambiente Visto Azul (foto no alto), das arquitetas Fernanda Dallarosa e Fernanda Roggia.

 – Desde a definição do tema do espaço, pensamos em um ambiente numa cor única. O azul venceu por ser uma cor alegre, que está em voga, além de estar ligado também ao Brasil, refletindo o seu bom momento atualmente no Exterior – conclui Fernanda Dallarosa.

 O azul intenso do ambiente sugere “conceitos de embarque e de acesso”, numa experiência inspirada no trabalho dos designers brasileiros Nicole Tomazi e Sergio Matos, que recentemente de destacaram no Salão Satélite de Milão, mostra em paralelo ao Salão Internacional do Móvel.

A impressão digital adesivada nos azulejos do ambiente Orquestrando as Panelas aos Quatro Cantos do Mundo (acima), de Cézar Etienne M. de Araújo e Jaqueline Zarpellon de Araújo trazem duas tendências: a cor e o visual dos ladrilhos antigos.

O azul-turquesa foi a escolha da arquiteta Lívia Bortoncello para a Sala de Estar (abaixo). Além do papel de parede da designer inglesa Tricia Guild em azul e branco, também são responsáveis pelo clima descontraído alguns móveis e elementos escolhidos, como os tecidos das almofadas sobre o sofá de couro cru.

– Minha influência veio da moda e do design, mas foi inevitável também não se inspirar no mar. É um espaço que poderia estar na praia, pois reproduz esta sensação de frescor e de relaxamento – explica.

No Estar com Arte, do escritório Rosane Hinnah Dulinski (abaixo), a cor usada pontualmente unifica o mobiliário solto em uma proposta despojada. Na estante de madeira, as caixas embutidas com iluminação de LED e com acabamento em laca foca no tom AZUL BIC destacam objetos.

– Usei azul porque queria uma influência de primavera e também porque não há janela e nem luz natural no espaço. É uma forma de trazer a natureza para dentro e fugir do óbvio verde – conclui Rosane.

* Colaborou Renata Maynart/ Especial

Fonte: Zero Hora – Ana Carolina Bolsson

 

Arquitetura brasileira em foco

Mostra em Frankfurt exibe nove escritórios
Centro de Tiro Esportivo, Rio de Janeiro, 2005/2007, BCMF Arquitetos (Foto: Leonardo Finotti)
Centro de Tiro Esportivo, Rio de Janeiro, 2005/2007, BCMF Arquitetos (Foto: Leonardo Finotti)

O país escolhido para ser o homenageado desta edição da Feira do Livro de Frankfurt é o Brasil. Entre as iniciativas está a exposição Nove Novos – Arquitetura Emergente do Brasil. A mostra no Museu de Arquitetura da Alemanha, o Deutsches Architektur Museum (DAM), com patrocínio da Funarte, apresenta a partir de sexta-feira, dia 20, projetos de nove expoentes da promissora jovem geração da arquitetura brasileira.

Assinam a curadoria Ricardo Ohtake, que também foi curador do pavilhão brasileiro na Bienal de Arquitetura de Veneza em 2010, e o diretor do DAM, Peter Cachola Schmal. Segundo este, o propósito da exposição é apresentar à Europa uma geração de arquitetos que tem potencial para reerguer o antigo status da arquitetura brasileira no exterior. Assim, os diversos prédios expostos, por meio de painéis, maquetes e vídeos, foram projetados majoritariamente por profissionais de idade entre 25 e 40 anos.

Enquanto isso, Ricardo Ohtake destaca a linguagem contemporânea criada por esses jovens arquitetos que, ao mesmo tempo, continuam influenciados pelo modernismo brasileiro. “Apesar de sermos ligados à nossa tradição, somos muito conectados ao que acontece no mundo, consequência da informação correr mais fácil e rapidamente hoje,” explica Martin Corullon, profissional do Metro Arquitetos, um dos escritórios selecionados para integrar a exposição.

Os outros oito participantes são: Arquitetos Associados, BCMF Arquitetos e Rizoma Arquitetura, de Belo Horizonte; Nitsche Arquitetos e Corsi Hirano Arquitetos, ambos de São Paulo; Bernardes+Jacobsen Arquitetura e Carla Juaçaba, do Rio de Janeiro, e Studio Paralelo, de Porto Alegre.

Uma seção da mostra será exclusivamente dedicada a Inhotim, em Minas Gerais. Lá, os escritórios Rizoma e Arquitetos Associados assinaram projetos entre os vários restaurantes e galerias.

Esta especialíssima homenagem à arquitetura brasileira contemporânea permanece em cartaz até o dia 19 de janeiro de 2014.

Nove Novos – Arquitetura Emergente do Brasil
Local: Deutsches Architektur Museum (DAM)
Endereço: Schaumainkai 43 60596 Frankfurt
Data: de 20 de setembro de 2013 a 19 de janeiro de 2014

Centro Educativo Burle Marx, Inhotim, 2006/2009, Arquitetos Associados (Foto: Marcelo Coelho)
Centro Educativo Burle Marx, Inhotim, 2006/2009, Arquitetos Associados (Foto: Marcelo Coelho)
Edifício João Moura, São Paulo, 2008/2012, Nietsche Arquitetos (Foto: Leonardo Finotti)
Edifício João Moura, São Paulo, 2008/2012, Nietsche Arquitetos (Foto: Leonardo Finotti)
Expografia da 30ª Bienal de Arte de São Paulo, 2012, Metro Arquitetos (Foto: Leonardo Finotti)
Expografia da 30ª Bienal de Arte de São Paulo, 2012, Metro Arquitetos (Foto: Leonardo Finotti)
Galeria Lygia Pape, Inhotim, 2010/2012, Rizoma Arquitetura (Foto: Leonardo Finotti)
Galeria Lygia Pape, Inhotim, 2010/2012, Rizoma Arquitetura (Foto: Leonardo Finotti)
Tribunal Reginal do Trabalho, Goiânia, 2007/2012, Corsi Hirano (Foto: Leonardo Finotti)
Tribunal Reginal do Trabalho, Goiânia, 2007/2012, Corsi Hirano (Foto: Leonardo Finotti)
Casa ML, Porto Feliz, 2007/2010, Bernardes + Jacobsen Arquitetura (Foto: Leonardo Finotti)
Casa ML, Porto Feliz, 2007/2010, Bernardes + Jacobsen Arquitetura (Foto: Leonardo Finotti)
Pavilhão Humanidade, Rio de Janeiro, 2011/2012, Carla Juaçaba (Foto: Leonardo Finotti)
Pavilhão Humanidade, Rio de Janeiro, 2011/2012, Carla Juaçaba (Foto: Leonardo Finotti)
CREA, Paraíba, 2010/2012, Studio Paralelo (Foto: Leonardo Finotti)
CREA, Paraíba, 2010/2012, Studio Paralelo (Foto: Leonardo Finotti)

Fonte: Casa Vogue – Por Redação; Fotos Leonardo Finotti e Marcelo Coelho