Assistente social reaproveita lixo e constrói objetos de decoração no Acre

angela2

A assistente social potiguar Ângela Fontes, de 47 anos, nem sabe dizer ao certo quando começou a se interessar pela reciclagem. Ela mora no Acre há 17 anos e, desde o ano passado, transformou uma casa no “Santo Lixo Atelier”, onde reaproveita lixo na construção de diversas peças de decoração.

Com criatividade, a nordestina faz os mais variados itens. São quadros, portas-chaves, bancos, cadeiras, mesas, armários e luminárias. Todos os objetos totalmente sustentáveis, reutilizando madeira, vidro, garrafas e metal.

“Fazem alguns anos que reutilizo garrafas e pedaços de madeira. A ideia do Santo Lixo me ocorreu quando concluí a obra na minha casa, onde transformei no espaço para trabalhar. Moro em apartamento e vou aos fins de semana e feriados [ao atelier]”, conta.

A matéria-prima é coletada, segundo a artesã, em qualquer lugar, por exemplo, quando passa em frente a algum canteiro de obras. Ela ressalta que, devido à propaganda dos amigos, acaba trabalhando também na decoração de ambientes.

“Onde a gente passa que tem lixo, restos de obras, damos uma olhada, passamos devagar com o carro. Quando vemos que te algo interessante, já levamos e imaginamos o que dá para fazer. Às vezes os amigos pedem também para darmos ideias para a casa e assim vamos fazendo”, acrescenta.

A iniciativa efetivamente comercial é ainda despretensiosa, de acordo com Ângela. Normalmente, a produção não é feita em grande quantidade. Muitas vezes, as pessoas acabam entrando em contato e fazendo encomendas. O Santo Lixo tem uma página no Facebook.

“Virou um vício estar catando e observando as coisas interessantes. Os amigos que conhecem nosso trabalho vão encomendando e vamos entregando. Quando tem final de semana prolongado, fazemos peças pequenas de decoração, porque achamos bonito e que vão ter saída. Ofereço e às pessoas e elas já compram. Tem boa aceitação”, finaliza.

Fonte: G1

Kobra estabelece novo recorde com maior mural do mundo em São Paulo

18_decoração

Um dos nomes mais conhecidos da arte de rua atualmente, Eduardo Kobra finaliza em São Paulo os últimos detalhes do maior mural do mundo, um recorde que ele mesmo estabeleceu no ano passado no Rio de Janeiro.

Com 5.742 metros quadrados, a nova obra do artista brasileiro avança sobre a parede de uma fábrica de chocolates na região metropolitana de São Paulo, onde o muralista deixa sua marca há mais de uma década.

O mural inédito, de 30 metros de altura e 200 de largura, reproduz uma cena do processo de colheita do cacau na Amazônia brasileira e olha de frente para uma movimentada estrada que atravessa o município de Itapevi.

Com cores fortes, o artista que saiu da periferia e hoje é reconhecido mundialmente retrata em seu novo projeto um jovem indígena navegando com uma canoa carregada de cacau sobre um rio de chocolate.

“Um fotógrafo fez a documentação no Amazonas e através desse trabalho iconográfico eu cheguei a desenvolver 30 desenhos para chegar ao resultado final”, contou em entrevista à Agência Efe.

Kobra começou a atual obra há um mês e a concluirá nos próximos 15 dias, período no qual terá utilizado um total de 3,2 mil latas de spray e muitos litros de tinta.

O artista enfrentou o desafio de superar seu próprio recorde, já registrado no livro “Guinness World Records”, do que passou a fazer parte em 2016 com o mural “Etnias”, um presente para a cidade do Rio de Janeiro durante os Jogos Olímpicos do ano passado.

Com três mil metros quadrados, “Etnias” chamou a atenção do mundo ao impulsionar a mensagem de paz e união que vem promovendo com diferentes obras em vários países.

Com esse mesmo ideal, Kobra irá em breve ao Malawi, para onde foi convidado pela cantora Madonna para fazer dois murais internos em um hospital, inspirados no ex-líder sul-africano Nelson Mandela. Depois, passará por Espanha, Itália, Alemanha e Portugal.

O rastro de Kobra está por todo o mundo, mas especialmente em São Paulo, onde imortalizou em enormes murais personagens como o piloto Ayrton Senna e o arquiteto Oscar Niemeyer, cujo rosto colorido é visível da Avenida Paulista.

Nas últimas décadas, o artista deu cores à cidade mais populosa do Brasil, uma grande massa de cimento que ganhou o apelido de “cidade cinza”, principalmente após a retirada de grafites e pichações de algumas localidades.

“São Paulo é reconhecida pela diversidade de estilos e talentos, o que a transformou em uma verdadeira galeria ao ar livre reconhecida mundialmente”, ressaltou Kobra, cuja talento emergiu na periferia desta cidade no final da década de 80.

Fonte: Estadão